domingo, 25 de março de 2007

Acho a maior graça

Tomate previne isso, cebola previne aquilo, chocolate faz bem, chocolate faz mal, um cálice diário de vinho não tem problema, qualquer gole de álcool é nocivo, tome água em abundância, mas não exagere...

Diante desta profusão de descobertas, acho mais seguro não mudar de hábitos.

Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal pra minha saúde.

Prazer faz muito bem.


Dormir me deixa 0 km.


Ler um bom livro faz-me sentir novo em folha.


Viajar me deixa tenso antes de embarcar, mas depois rejuvenesço uns cinco anos.

Viagens aéreas não me incham as pernas; incham-me o cérebro, volto cheio de idéias.

Brigar me provoca arritmia cardíaca.


Ver pessoas tendo acessos de estupidez me embrulha o estômago.


Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro me faz perder toda a fé no ser humano.


E telejornais... os médicos deveriam proibir - como doem!


Caminhar faz bem, dançar faz bem, ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo faz muito bem: você exercita o autocontrole e ainda acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada.


Acordar de manhã arrependido do que disse ou do que fez ontem à noite é prejudicial à saúde. E passar o resto do dia sem coragem para pedir desculpas, pior ainda.


Não pedir perdão pelas nossas mancadas dá câncer, não há tomate ou mussarela que previna...


Ir ao cinema, conseguir um lugar central nas fileiras do fundo, não ter ninguém atrapalhando sua visão, nenhum celular tocando e o filme ser espetacular, uau!
Cinema é melhor pra saúde do que pipoca.

Conversa é melhor do que piada.


Exercício é melhor do que cirurgia.


Humor é melhor do que rancor.


Amigos são melhores do que gente influente.


Economia é melhor do que dívida.


Pergunta é melhor do que dúvida.


Sonhar é melhor do que nada!

Luis Fernando Veríssimo

sábado, 24 de março de 2007

Piada Nacional

Possuindo um desastroso sistema penitenciário, São Paulo prende mais de mil e seiscentas pessoas em 11 horas.

Enquanto isso, os governadores de Minas Gerais, Rio de Janeiro e do Distrito Federal estão na Colômbia. Para quê? Para aprender técnicas a fim de reduzir os índices de criminalidade.

Lula diz que estará no pé dos novos ministros cobrando, a cada dia, para que façam mais e melhor do que os velhos.

Parece piada? Foi a edição de ontem do Jornal Nacional. No mínimo, hilário...

quinta-feira, 15 de março de 2007

Vagabundos!

Foi há pouco mais de um mês que o nada exemplar prefeito de São Paulo Gilberto Kassab expulsou aos gritos o micro-empresário Kaiser Paiva da inauguração de uma unidade de saúde, xingando-o de vagabundo na frente de todos - inclusive do próprio filho. Não foi apenas aquele homem que o prefeito jogou para fora do estabelecimento público. Junto com ele, eu, você e todos aqueles que moram neste tubo de ensaio chamado São Paulo fomos arrancados de locais que só existem graças à nossa suada contribuição involuntária e insultados de "vagabundos". Inúmeras críticas foram escritas, publicadas e veiculadas condenando a atitude do governante nos últimos dias. O próprio reconheceu que pisou na bola, e voltou atrás, pedindo desculpas ao trabalhador brasileiro. No entanto, não é que o prefeito tinha razão?

Não estou aqui para condenar o homem e valorizar o prefeito - longe de mim defender um político brasileiro. Concordo com as críticas feitas ao incompetente administrador da cidade e penso que ele (como grande parte das pseudo-autoridades do país) são incapazes de exercer cargos que sabe-se lá como chegaram em suas mãos. Entretanto, incluindo o próprio Kassab no seu xingamento (afinal, os insultado fomos nós, os paulistanos), ele não está errado. O povo é realmente muito vagabundo! Tem preguiça de trabalhar e faz o máximo para fazer o mínimo.

Ontem deixei a Cidade Universitária para iniciar um trabalho de fisioterapia. Se o trajeto fosse feito de carro, provavelmente demoraria pouco menos de 30 minutos. Como ainda não faço parte da elite do país, fui de ônibus ao meu destino. No dia anterior, havia feito o trajeto em 45 minutos. Pensando em eventuais congestionamentos, deixei a universidade 1 hora e 10 minutos antes do horário da seção. Pelos meus cálculos, ainda ficaria esperando por volta de 20 minutos antes de ser atendido. Contas erradas! O trânsito fez com que eu chegasse 15 minutos atrasado ao meu destino. Chegando à porta da clínica, fui obrigado a escutar uma fisioterapeuta preguiçosa dizendo que o meu atraso me impossibilitava de fazer a seção naquele dia. Ela ainda estava lá, a outra (que faria os exercícios) também, mas a comodidade falou mais alto e ela preferiu não me atender a ir embora 15 minutos mais tarde. Furioso, engoli seco a preguiça brasileira e me dirigi a uma casa lotérica para carregar meu bilhete único. Cheguei 15 minutos antes do final do expediente. Preciso explicitar se ela estava aberta? Claro que não!

Desencanei. O brasileiro é folgado mesmo! Não adiante reclamar que os políticos roubam, que o país não anda, que a economia não decola. O povo só quer bebemorar. Arregaçar as mangas pra quê? Elas vão acabar molhadas mesmo...