O menininho chegou em casa pisando nas nuvens. Sua princesa encantada deu-lhe um beijo nas maçãs da face, seguido por um puro e inocente "eu te amo!" derramado no pé do seu ouvido. O garotinho estava feliz. Muito feliz! Entrou no seu quarto. Permitiu que a música exalasse seu perfume. Sentou-se para escrever uma cartinha à jovem garota que invadia os seus pensamentos...Ele tinha apenas 10 anos, um lápis na mão e muito amor na cabeça. Tentou se expressar. Seu texto começava com uma bela e inocente comparação do que sentia com o mar. O menino dizia que queria tocar o nome da encantada garota, olhar seu maravilhoso perfume, sentir seus negros olhos. Desejava beijar sua forte personalidade e conversar com seus doces lábios. Pensava nela com a mesma freqüência com que as ondas trazem pequenas conchinhas à praia. Lembrava dela a cada estrela que observava no incomparável céu de Brasília. Amava-a com o mesmo ardor que o fogo queima a lenha...
"- Não! Está muito ruim...", pensou o jovem poeta. Ele então amassou o papel, jogou a folha repleta de sentimentos na lata do lixo e foi assistir televisão.
