Foi há pouco mais de um mês que o nada exemplar prefeito de São Paulo Gilberto Kassab expulsou aos gritos o micro-empresário Kaiser Paiva da inauguração de uma unidade de saúde, xingando-o de vagabundo na frente de todos - inclusive do próprio filho. Não foi apenas aquele homem que o prefeito jogou para fora do estabelecimento público. Junto com ele, eu, você e todos aqueles que moram neste tubo de ensaio chamado São Paulo fomos arrancados de locais que só existem graças à nossa suada contribuição involuntária e insultados de "vagabundos". Inúmeras críticas foram escritas, publicadas e veiculadas condenando a atitude do governante nos últimos dias. O próprio reconheceu que pisou na bola, e voltou atrás, pedindo desculpas ao trabalhador brasileiro. No entanto, não é que o prefeito tinha razão?Não estou aqui para condenar o homem e valorizar o prefeito - longe de mim defender um político brasileiro. Concordo com as críticas feitas ao incompetente administrador da cidade e penso que ele (como grande parte das pseudo-autoridades do país) são incapazes de exercer cargos que sabe-se lá como chegaram em suas mãos. Entretanto, incluindo o próprio Kassab no seu xingamento (afinal, os insultado fomos nós, os paulistanos), ele não está errado. O povo é realmente muito vagabundo! Tem preguiça de trabalhar e faz o máximo para fazer o mínimo.
Ontem deixei a Cidade Universitária para iniciar um trabalho de fisioterapia. Se o trajeto fosse feito de carro, provavelmente demoraria pouco menos de 30 minutos. Como ainda não faço parte da elite do país, fui de ônibus ao meu destino. No dia anterior, havia feito o trajeto em 45 minutos. Pensando em eventuais congestionamentos, deixei a universidade 1 hora e 10 minutos antes do horário da seção. Pelos meus cálculos, ainda ficaria esperando por volta de 20 minutos antes de ser atendido. Contas erradas! O trânsito fez com que eu chegasse 15 minutos atrasado ao meu destino. Chegando à porta da clínica, fui obrigado a escutar uma fisioterapeuta preguiçosa dizendo que o meu atraso me impossibilitava de fazer a seção naquele dia. Ela ainda estava lá, a outra (que faria os exercícios) também, mas a comodidade falou mais alto e ela preferiu não me atender a ir embora 15 minutos mais tarde. Furioso, engoli seco a preguiça brasileira e me dirigi a uma casa lotérica para carregar meu bilhete único. Cheguei 15 minutos antes do final do expediente. Preciso explicitar se ela estava aberta? Claro que não!
Desencanei. O brasileiro é folgado mesmo! Não adiante reclamar que os políticos roubam, que o país não anda, que a economia não decola. O povo só quer bebemorar. Arregaçar as mangas pra quê? Elas vão acabar molhadas mesmo...
8 comentários:
interessante...
Não posso concordar com uma frase do tipo "o povo realmente é vagabundo" e toda essa sua argumentação falaciada.
Por convenção, sou contra qualquer tipo de generalização estereotipada, pois esta, é sempre inexata, por ser sempre um pré-conceito infundado: vivências e impressões individais.
Abraços!
RA
Respondendo ao comentário do Assis...
Antes de mais nada, gostaria de agradecê-lo por deixar registrada sua opinião contrária ao que foi escrito. Um dos intuitos deste experimento é levantar questões no mundo virtual para serem discutidas fora dele.
Quanto ao seu julgamento da minha justificativa: aquilo que você chamou de argumentação (imagino eu que seja o 3º parágrafo) nada mais é do que uma ilustração de uma idéia que foi apresentada como fato, e não discutida - isso justifica a falta de arumentação no texto. Caso releia o mesmo, perceberá que o primeiro parágrafo apenas retrata o que realmente ocorreu; o segundo imprime o meu ponto de vista sobre aquele fato apresentado no primeiro; o terceiro EXEMPLIFICA (e NÃO justifica) o meu ponto de vista e o quarto fecha o texto com uma visão conformista e já apresentada no início do texto.
O ponto que você pode ter razão é quando me condena por escrever que o povo é vagabundo. Realmente, eu não sou vagabundo, contudo, faço parte do povo! Não só eu - há inúmeros cidadãos que suam suas camisas a fim de sustentar dignamente o esqueleto seu e de suas famílias todos os dias. Talvez tenha sido infeliz minha afirmação generalizada. Talvez... Enquanto você prefere ver o todo no um, eu prefiro ver o um no todo. Quem está certo? Não há como medir isso! Como você mesmo disse, "vivências e impressões pessoais" fizeram com que sua postura fosse essa. As generalizações podem ser perigosas, mas, neste caso, acredito que a grande parte (daí ter designado a maioria por "povo") é realmente folgada e acomodada. Não falo das pessoas que estão no nosso estreito círculo social. Falo da maioria dos mais de 188 milhões de brasileiros. Você olha para os números como pessoas. Eu olho para o país como número.
Quem sabe se eu tivesse escrito "grande parte das pessoas" ao invés de "o povo" essa discussão não teria se iniciado. É por isso que não me arrependo de ter arranjado as palavras do jeito que elas estão!
Espero que essa troca de idéias não termine por aqui! O cheiro de idéias começa a aumentar...
Um abraço ao meu amigo de Humanas,
César
"É próprio das grandes mentalidades discordar e ainda conservar a amizade do seu oponente."
Continuo achando que sua afirmação generalizada de que o povo é vagabundo foi bem infeliz.
Na sua réplica percebi uma outra colocação bem infeliz:
"Você olha para os números como pessoas. Eu olho para o país como número".
Não foi você que, há alguns posts atrás, reclamava de ser tratado em um posto médico como mais um número?!? Um pouco contraditório né?!?
Eu, como você bem disse, não olho e nem quero ser visto como número, olho para os outros, e quero ser visto como pessoa, SEMPRE!!!
Abraços;
RA
Prezado Rodrigo,
Se você ler atentamente o texto do posto médico, perceberá que em nenhum momento me queixo de ser tratado como mais um número. Aliás, nem neste texto estou colocando em xeque a numerização do Homem. O único procedimento que adotei, pertinente para alguém que prefere as exatas, foi o de "quantificar" o problema a fim de identificar possíveis soluções mais facilmente - daí a "generalização".
Concordo com você quando diz que não quer ser visto como número. Eu também não quero! Mas prefiro ser contabilizado em uma calculadora como forma de ajudar a pintar um desenho mais fiel da classe a que pertenço a continuar como mais uma fechada ilha em um arquipélago condenado ao fracasso.
Um abraço ao meu amigo de humanas,
César
só tenho uma coisa a dizer... sempre entre esses argumentos reservem um espaço pra falar: VIXÉÉÉÉÉÉ! hahahahahaha!!!
Nossa.. primeira vez no seu blog.. me emocionei ao ler sobre seu ano 2006! Parabens por ter sido aprovado em todas, e melhores, universidades! parabens mesmo! tem foto sua la no objetivo.. ta bom, confesso que fiquei com vontade de pegar uma pra mim.. Só fico imaginando no dia em que eu estiver entrando na faculdade.. parabens mesmo..
Beijos
cara.. .vlw mesmo... um dia eu chego e vcs!
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