sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Um dia

Um dia alguém cantou que o pra sempre é eterno... e eu ouvi!
Um dia me disseram para aproveitar o primário... e eu não dei bola!
Um dia me alertaram para aproveitar o ginásio... e eu não estava nem aí!
Um dia me falaram que a oitava série passa voando... e eu comecei a acreditar!

Um dia me confessaram que os três anos de colegial passam mais rápido do que um... e eu me angustiei!
Um dia eu cheguei no terceiro ano... e parecia que eu acabara de sair da primeira série!
Um dia o primeiro semestre acabou... e eu não havia sequer percebido a passagem do carnaval!
Um dia novembro chegou... e eu não via a hora de as férias chegarem!

Um dia as aulas foram suspensas e os alunos mandados ao salão... e eu gostei!
Um dia cantaram as músicas que curtíamos na primeira infância com os velhos amigos... e eu chorei!
Um dia fizeram um café da manhã para reunir, por uma das últimas vezes, os grandes amigos... e eu engoli!
Um dia fizemos uma guerra d'água pra nunca mais esquecermos que a idade não depende do ano de nascimento... e eu me diverti!
Um dia encharcamos o colégio de cabo a rabo... e eu me molhei!
Um dia o dia 23/11/2005 chegou... e eu percebi que a vida não volta atrás!

Um dia tudo acabou, e eu me formei...
Um dia o ano começou, e os amigos não vi...
Um dia as férias chegaram, e dos velhos companheiros não me despedi...
Um dia, dois anos se passaram... e parece que foram mil!

Um dia a vida passa... e nós não vemos!
Um dia alguém cantou que o pra sempre sempre acaba...

sábado, 17 de novembro de 2007

A concepção de uma melodia

Dizem que antes de surgirem nas cordas ou tubos de algum instrumento, as melodias nascem nas almas dos compositores.

Emoções e sentimentos se unem acima da quarta dimensão para dançar ao som daquilo que até então só o solitário autor conhece.

Compor é isto: dar à luz a um filho após alguns dias, meses, quiçá anos de gestação. Tirar de dentro de si para apresentar aos outros o delicioso misto de sons, vozes, cheiros e cores com quem você conviveu durante o necessário período de amadurecimento. A diferença - sutil diferença - das músicas para os seres vivos é que as melodias não nascem prematuras. Ou findam sua gestação ou abandonam a vida antes mesmo de conhecê-la.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

É preciso fechar os olhos!

"Às vezes, para que tudo fique mais claro, é preciso fechar os olhos!"

domingo, 14 de outubro de 2007

Um pedido de justiça

São Paulo, 14 de outubro de 2007.

Um pedido de justiça

Permita-me usar do seu tempo para fazer um desabafo junto com um esperançoso pedido de ajuda. No dia 04/09, realizei um velho sonho pelo qual batalhei há quase um ano: comprei um notebook. Após vários dias de pesquisa de preço, modelos e marcas, encontrei na loja WiMax computadores (http://www.wimaxcomputadores.com.br/) o menor valor. Consumidor cauteloso, após tomar todos os cuidados recomendados pelo ProCon, pedi para um amigo ir até à Av. Independência, 321, em Ribeirão Preto – SP para ver se a loja de fato existia ou se não era mais um daqueles golpes pela Internet. De fato, o estabelecimento estava lá há algum tempo e efetuei a compra.

Meu laptop chegaria dia 14/09, data pela qual esperei ansiosamente. Entrando em contato com os vendedores, me informaram que o prazo fora modificado para o dia 18/09. Comecei a ficar impaciente. O dia 18 chegou e nada do meu computador. Liguei para a loja, quando me prometeram a entrega para o dia 03/10. No dia seguinte, a vendedora Marina ligou no meu celular, contou uma enorme história e disse que um dos sócios da WiMax se desligou da sociedade e que junto com ele foram todos os contatos com fornecedores. Por esse motivo, alegou que a empresa estava começando suas atividades da estaca zero e me deu um novo prazo. Desconfiei. Passado algum tempo (uma semana), tentei contato pela Internet (e-mail) em vão. Liguei nos quatro números disponibilizados, mas nada de atenderem ou me responderem. Fui atrás de mais informações e encontrei aquilo que não queria: mais de 100 pessoas que, como eu, compraram seus eletrônicos na WiMax e não receberam. As compras realizadas entre julho e setembro de 2007 não foram entregues e a loja fechou suas portas na cidade de Ribeirão Preto. No local, há agora uma placa com o nome “Rabisk papelaria e informática”.

Os boletos gerados pela WiMax em seu sistema de vendas pela internet tinham como cedente a Promarketing Comércio de Informática Ltda, cujo CNPJ indicado é 00.256.540/0001-30. O boleto era para pagamento no banco Bradesco e a agência/código do cedente era o número 3427/0013397-3.

No dia 28 de setembro, a polícia civil de Ribeirão Preto fez uma operação de busca e apreensão na loja e foi instaurado um inquérito policial no 1º Distrito Policial de Ribeirão Preto (inquérito n. 325/07), sob o comando do Delegado Gino Augusto Franco Santana. Desde então, a loja permanece fechada, o telefone não mais atende e o site anuncia que a loja reabrirá, agora, em Ilhéus BA, no dia 1º de novembro. Indo à Junta Comercial do Estado de São Paulo, descobrimos algumas informações dos proprietários da empresa. Ela era gerida por Antonio Donizete Alvez, RG nº 13.195.001 – MG, detentor de 95% da sociedade, residente à Rua México, 1236 – Vila Mariana – Ribeirão Preto – SP. O outro sócio era Gilberto Gabiolli, 44 anos, RG nº 15.785.155-2 – SP, detentor de 5% da sociedade e residente à Rua João Lago, 439 – Pq. do servidor – Ribeirão Preto – SP.

Uma amostra da situação vivida pelos consumidores que não receberam as encomendas pode ser vista na comunidade "Fui lesado pela Wimax Computer" (www.orkut.com/Community.aspx?cmm=39275433), no orkut. Até o momento, a mesma possui 126 membros. Nessa comunidade, especula-se que a WiMax esteja agindo de modo semelhante à Criart Eletrônicos e à Microribe, outras empresas de Ribeirão Preto que praticaram golpes com vendas pela internet. Há ainda um site criado pelos consumidores lesados (http://www.euqueromeunote.tk/), que visa reunir informações relevantes e alertar futuros compradores do golpe que vem sendo praticado por aquelas empresas.

Outro fato que chama a atenção é que dois clientes que receberam os produtos encomendados (um deles depois de ter ido pessoalmente à loja) receberam notas fiscais que parecem não ter valor. Nelas, o nome WiMax aparece como que com uma etiqueta colada sobre o nome de outra empresa com o nome CompuRib.

Você deve estar pensando: o que eu tenho a ver com isso? Bem... Eu - sozinho - pouco posso fazer para reaver meu dinheiro conquistado dignamente. Nós - os consumidores - podemos fazer algo um pouco maior, mas, talvez, insuficiente, se estivermos lidando com pessoas mal intencionadas e bem assessoradas. Mas, se conseguirmos fazer com que essa história real fique conhecida por um número elevado de pessoas, certamente o resultado será maior, mesmo que não consigamos colocar as mãos no nosso dinheiro novamente. Não estou pedindo seu tempo, seu dinheiro, uma manifestação em praça pública ou coisas do tipo. Quero apenas fazer com que a história, os nomes dos envolvidos e da empresa se tornem conhecidos, para que possamos ter alguma esperança de reaver esse dinheiro (uma média de R$ 2.500,00 por pedido x 100 = R$ 250.000,00) e também impedir que novos golpes como esse sejam praticados pela mesma quadrilha. Para isso, peço que encaminhe esse documento para as pessoas que você conhece. De preferência, àquelas influentes, bem-relacionadas e que podem, de alguma forma, impedir que crimes como esse continue ocorrendo. Estamos tentando fazer com que isso chegue à imprensa o quanto antes. E-mails para jornais como Folha de S. Paulo, Estado de S. Paulo, para o site do Jornal Nacional (com sugestão de reportagem), para o prefeito de Ribeirão Preto, para cada um dos vereadores da câmara daquele município, para a Associação Comercial e Industrial da cidade, para o escritório da Federação das Indústrias, para os jornais Tribuna de Ribeirão Preto, Jornal A Cidade de Ribeirão Preto, Jornal Gazeta de Ribeirão Preto, para as rádios Clube, Difusora, Joven Pan e USP (todas de Ribeirão Preto) já foram enviados. Mas, se você conhece alguém que pode fazer que isso vire notícia, pedimos que envie o quanto antes esse material para ampla divulgação. Além disso, queremos tornar o caso conhecido também em Ilhéus – BA, suposto lugar para onde estaria se mudando a empresa.

Agradeço a atenção em ler nossa história e reforço o convite para visitar nosso site e comunidade no Orkut (ambos os links estão relacionados nesse documento), caso tenha interesse em saber mais sobre o golpe e verificar sua veracidade.

Mais uma vez, meu muito obrigado, e, caso tenha qualquer dica, sugestão, indicação, informação ou forma de atuação, peço que nos avise.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Medo

Medo do dedo, medo do duro: Medo do dedo duro!

Medo da grana, medo que engana: Medo da nossa gana!

Medo do certo, medo do provável: Medo auto-sustentável!

Medo do mudo, medo do mundo: Medo do medo-mundo!

Medo que acaba, medo que começa: Medo que nos apressa!

Medo da prosa, medo da poesia: Medo da velha hipocrisia!

Medo do hoje, medo do amanhã: Medo que impõe um talismã.

Medo da falha, medo do fracasso: Medo da falta de abraço!

Medo do Homem, medo da raça: Medo que é uma desgraça!

Medo do sujo, medo do imundo: Além do Medo, existe um Mundo!

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

É simples assim!

Esqueça, meu amigo!

Esqueça fórmulas mágicas e miraculosas! Esqueça volumosos livros que prometem apresentar um caminho inexsitente! Esqueça a ajuda de pseudo-especialistas! Esqueça tudo aquilo que não faz sentido para você!

A felicidade é simples assim! E em toda essa simplicidade reside o enigma que a humanidade tenta desvendar através dos séculos. Mistério que está diante de todos aqueles que querem vê-lo com a alma, e não apenas com os olhos.
A utopia mora ao nosso lado, conosco, no correr das entediantes horas que consomem nosso presente. Está lá, no fundo de uma panela de brigadeiro esperando ser raspada. Em cima do telhado ansioso pela colheita das estrelas. Na copa de uma laranjeira inquieta para ter suas frutas saboreadas no próprio pé. Está nos lábios daquela garota que não sai das suas idéias. Nos olhos daqueles que te amam. No coração daquelas pessoas que você já tentou esquecer e descobriu que são as mais difícieis!

A felicidade está à porta e bate. Bate com vontade de entrar! Bate com o ardor das labaredas que impulsionam um balão ao céu. Para ouvi-la, é preciso ver. Observar a vida como ela é, e não como deveria ser. Entender o mundo como está; não como foi ou será! Aprendendo, descobrirá que não dá pra mudar o começo, mas, se você quiser, vai dar pra mudar o final!

sábado, 18 de agosto de 2007

Um jovem amor

O menininho chegou em casa pisando nas nuvens. Sua princesa encantada deu-lhe um beijo nas maçãs da face, seguido por um puro e inocente "eu te amo!" derramado no pé do seu ouvido. O garotinho estava feliz. Muito feliz! Entrou no seu quarto. Permitiu que a música exalasse seu perfume. Sentou-se para escrever uma cartinha à jovem garota que invadia os seus pensamentos...

Ele tinha apenas 10 anos, um lápis na mão e muito amor na cabeça. Tentou se expressar. Seu texto começava com uma bela e inocente comparação do que sentia com o mar. O menino dizia que queria tocar o nome da encantada garota, olhar seu maravilhoso perfume, sentir seus negros olhos. Desejava beijar sua forte personalidade e conversar com seus doces lábios. Pensava nela com a mesma freqüência com que as ondas trazem pequenas conchinhas à praia. Lembrava dela a cada estrela que observava no incomparável céu de Brasília. Amava-a com o mesmo ardor que o fogo queima a lenha...

"- Não! Está muito ruim...", pensou o jovem poeta. Ele então amassou o papel, jogou a folha repleta de sentimentos na lata do lixo e foi assistir televisão.

sábado, 4 de agosto de 2007

Às vezes

Às vezes você espreme um limão e não sai nada! Por mais que você tente, amasse, suba em cima, ponha no liquidificador, não adianta: não sai nada!

Às vezes você conversa com uma garota e não sai nada! Por mais que você papeie, elogie, diga suas intenções, se declare, não adianta: não sai nada!

Às vezes você senta na privada e não sai nada! Por mais que você se esforce, se concentre, faça força, até pegue uma literatura para ajudar, não adianta: não sai nada!

Às vezes você senta para escrever...

sexta-feira, 22 de junho de 2007

USP: quem tem razão?

Sento-me para escrever com muitas idéias e poucas palavras. São muitas opiniões, fotos, textos, panfletos e vozes que nos últimos 51 dias ecoaram na mídia e na universidade, desde que a reitoria da USP foi tomada. Confesso que não foi fácil descer do muro e escolher um lado da moeda. Ao mesmo tempo que todos têm razão, ninguém está completamente certo. Pra onde correr? Que causa abraçar? A temperatura do movimento subiu e desceu, enquanto que a cega sociedade, alheia ao que acontece dentro dos muros da Cidade Universitária, repudiou o movimento e acreditou, questionando pouco, naquilo que a imprensa divulgou. Seria um erro me calar neste momento. Calar quando tenho uma visão privilegiada do acontecimento. Calar quando tenho uma opinião. Calar quando a universidade em questão é a minha!

Já faz um bocado de tempo quando, pela primeira vez, um estudante, sozinho, entrou na nossa aula de cálculo alertando sobre os decretos do governador José Serra. Na época, ninguém levou fé, e acreditamos que aquilo nunca passaria de mais uma das inúmeras greves uspianas. Na verdade, ninguém levou a sério aquele amontoado de palavras publicadas no Diário Oficial, e o assunto acabou esquecido. Tenho saudades daquele dia...

A primeira questão a esclarecer é o que são os decretos. O governador do Estado, José Serra, decretou no início do ano diversas medidas que atacam as universidades estaduais. Em resumo, Serra, impedido de criar novas secretarias, renomeou a de turismo para educação (medida essa inconstitucional), fragmentou o ensino em básico, técnico e superior, impediu que novas contratações fossem feitas, delegou à recém-criada Secretaria de Ensino Superior a definição de políticas e diretrizes universitárias e a definição de quais
pesquisas devem ou não serem feitas e também obrigou a universidade a solicitar a autorização do governo para remanejar verbas internamente. Particularmente, não consigo entender como algum universitário pode não ser contrário aos decretos. É evidente que eles ferem a autonomia universitária e comprometem a qualidade das faculdades, gerando um provável sucateamento do ensino superior como vemos hoje com o Fundamental e o Médio. Entretanto, os decretos constituíam apenas um tópico das 17 reivindicações que os estudantes faziam para desocupar a reitoria. E é pela grandeza adquirida pelos outros 16 motivos extremamente menores do que esse que eu condeno a ocupação. Alguns deles evidenciam que o movimento é composto por estudantes profissionais e que não estão preocupados com a universidade, mas, sim, com seu futuro político e sua moradia, alimentação e transporte gratuitos fornecidos pelo Estado. É o caso, por exemplo, da reivindicação nº 7 ou da nº 14 (veja aqui a pauta completa).

A brincadeira foi ficando séria, a imprensa foi cobrindo o evento cada vez maior e a idéia de sair da reitoria tornou-se cada vez menos cogitada pelos estudantes. Em um dos dias, houve festa com banda e DJ e até mesmo um show com Tom Zé aconteceu no local. Tudo pelo bem da universidade. Da universidade? Apesar da reitora ter se esforçado pela desocupação pacífica, os alunos mantiveram a greve até hoje, apenas sinalizando com a desocupação da reitoria. Formaturas, bolsas e até mesmo a FUVEST foram prejudicadas pelo movimento. Um movimento paradoxal, que luta pela universidade e, no entanto, é o primeiro a prejudicá-la. Será que foi uma luta realmente legítima, com os objetivos que eles realmente se vestem?

Enquanto verdadeiras batalhas ideológicas são travadas, com partidos políticos se camuflando entre os estudantes e alunos se escondendo sob escudos partidários, a imprensa, completamente perdida, assiste ao espetáculo e publica de forma confusa e incoerente o pouco que vê. É curioso observar como reportagens tão diferentes podem pertencer a um mesmo evento. Enquanto a Época visitou clandestinamente a ocupação e pintou um quadro de paz, felicidade, tranqüilidade e hamornia no prédio invadido, a Veja São Paulo publicou em sua capa aquilo que ela definiu como "Caos na USP". Nenhuma das duas está completamente certa. O cidadão desinformado acredita naquela que tem mais confiança ou na que condiz com sua opinião pessoal. Já o prevenido busca mais informações nas mais diversas fontes possíveis - e fica mais perdido ainda! O aluno da USP fica indignado. Bravo! Inconformado!! Como que uma minoria da universidade pode gerar tanta polêmica na sociedade? Ultimamente, por volta de 50 pessoas passavam a noite na reitoria (alunos matriculados na USP: 80.589). Muitos dos adeptos ao movimento no início reconheceram que os limites foram ultrapassados e deixaram de ter atitudes infantis como a da ocupação. Continuam lutando sim pelos seus ideais. Mas conseguiram perceber que o extremo não é necessariamente a melhor solução.

Hoje, após 51 dias de muita confusão, especulação, assembléias e propostas, finalmente a reitoria está sendo desocupada. Estudantes saem vestidos de palhaços, cantando músicas contra a ditadura e segurando faixas como a que diz "desocupamos a reitoria para
ocupar a USP". Apesar de ser completamente contrário a tudo que foi feito nesse período, não posso negar que houveram significativos avanços para a universidade. Os manifestantes realmente tiveram atitudes audaciosas. Mas, só por curiosidade: não seria mais fácil fazer primeiro o possível antes de tentar o impossível?




sexta-feira, 6 de abril de 2007

O livro

A noite começava a acordar na cidade naquele nebuloso dia que eu jamais esquecerei. O sol mal beijara o asfalto quando a escuridão, ávida por espreguiçar-se, expulsava os últimos raios naturais de claridade da metrópole. Entrei no ônibus. Cansado. Ansioso. Confuso. Me senti apertado em meio as poucas pessoas que ocupavam os bancos. Parecia que o último lugar fora feito especialmente para mim.

Contemplava a assustadora paisagem distorcida pelos vidros da janela. O caos corria do lado de fora diante dos meus olhos, indiferente a mim. Uma parada. Meia-dúzia de pessoas embarcam. E o tempo retornou a correr. Retirei minha atenção do lado de fora e voltei-me para o interior. Reparei naqueles poucos cidadãos que nada tinham em comum, a não ser o destino. Ninguém se falava. Tão pouco se olhavam. No coletivo deserto, apenas esperávamos ele devorar o asfalto e nos vomitar no nosso ponto final. Nova parada. Desta vez, apenas um passageiro. Um ilustre desconhecido. Ou seria um desconhecido ilustre?

Tinha certeza de que aquele senhor de meia-idade que acabara de embarcar tinha algo familiar. Pressenti que o fato de sua viagem coincidir com a minha não foi obra do acaso. O homem retirou o dinheiro contado do bolso, pagou o alto preço de sua passagem ao cobrador e girou a catraca numa paz sobrenatural. Aparentava ser alguém bem-sucedido que, não sei por qual motivo, resolveu andar de ônibus naquele nublado começo de noite. Imaginei que fosse um projetista. Um grande arquiteto! Minhas especulações cessaram quando ele lançou um negro olhar para mim. Enquanto caminhava rumo à cadeira vazia ao meu lado e buscava no fundo dos meus olhos aquilo que nem eu conheço, percebi que conhecia aquele homem. Nunca havia visto sua fronte. Mas sabia que era conhecida.

Sua voz aveludada pediu licença para ocupar o assento livre ao meu lado. Concedi. Fui virar o rosto para continuar contemplando a cidade que nunca pára quando ele me chamou pelo nome. Assutei. Como alguém que nunca vira antes sabe meu nome? Seria um seqüestro? Uma piada? Ele repetiu, desta vez pronunciando também meu sobrenome. Hesitei. Perguntei quem ele era e de onde me conhecia. O velho limitou-se a mandar eu ficar tranqüilo. Imprimia nos lábios um sorriso paterno enquanto pegava alguma coisa na sua surrada pasta. Surpreendi-me quando vi um velho livro vindo voando em minha direção. Aquele empoeirado exemplar parecia ter sido redigido junto com a criação do universo. O senhor perguntou se eu estava curioso para folhear aquelas páginas amarelas. Pensei...

Ele rapidamente tirou a pesada obra das minhas mãos antes mesmo que eu pudesse tocá-la. Foi quando me dei conta de que sequer havia visto as dimensões daquilo que parecia um livro. Não sabia se era grande ou pequeno, pesado ou leve, grosso ou fino. A única certeza que tive foi a de que era um livro. Questionei o título e o autor. O homem se mostrou surpreso. Como alguém escreve a própria história e não a reconhece? Fiquei confuso! Aquela viagem estava parecendo um devaneio. A neblina começara a penetrar no ônibus; o sol já estava do outro lado do planeta e aquele senhor portava uma obra que era de minha autoria sem nunca ter passado pelas minhas mãos?

Me interessei pelo assunto. Comecei a desperdiçar toneladas de perguntas sobre o desconhecido. Não me respondeu nenhuma. Apenas quando indaguei sobre a origem do livro foi que ele libertou algumas respostas do cativeiro por ele criado. Não sabia mais se estava sonhando acordado ou dormindo em um sonho. Gostava, entretanto. Questionei enquanto pude, enquanto conseguia, enquanto tinha criatividade para formular novas hipóteses. Cada vez mais ficava evidente o título daquela obra, mas, não era humanamente possível acreditar naquilo. Quando parei, ele começou. Perguntou se podia falar, e pediu que não fosse interrompido. Seu curto discurso durou o tempo de algumas eternidades. Suas palavras foram tatuadas na minha alma. Não disse nenhuma letra a mais, nenhuma a menos das que transcrevo abaixo:

"Meu filho. Sei que ainda és jovem e tens muitas dúvidas nessa perversa cabeça inocente. Algumas peças não se encaixam no enigmático quebra-cabeça da vida. Parece que algumas faltam. Outras, sobram. Mas, se tu analisá-lo com cuidado, verás que cada uma tem o seu lugar. A grande arte é encontrar a posição que cada um deve ocupar. Não há uma certa ou errada. Há aquelas mais pertinentes e outras que não eram as esperadas. Tu podes ter sido desenhado para uma, mas, pensando bem, até que não ficas tão fora de contexto se estiver em outra. O retrato é dinâmico e quem constrói a imagem final somos nós mesmos. Este livro, que tu apenas a capa viste, é a tua posição. Desde o dia do teu nascimento até o momento do teu último suspiro, tudo o que se refere a ti está gravado nestas folhas de papel. Não deixei que consultasses o índice. Não permiti que sequer visse a espessura. Seria injusto escancarar o teu futuro a ti mesmo sem vossa autorização. Tal escolha certamente irá alterar o curso de tua jornada para todo o sempre. Tu lerás sobre tua família, teus filhos, teu trabalho. Verás até onde chegarás e quais locais nunca colocarás o pé. Descobrirás quais sonhos vão se concretizar e quais nunca deixarão de visitá-lo nas eternas noites de descanso. Penetrarás, enfim, em você mesmo. O final daquela festa, o esperado beijo, o pedido da mão dela em casamento, a lua-de-mel, o primeiro filho... Nada mais será segredo para ti! Viajarás ao teu 'eu' como nunca ninguém viajou. Tuas metas daqui para frente serão em vão. 'Esperança' será uma palavra que definitivamente sairá do teu vocabulário. O que tiver que ser, tu saberás. Tens agora duas escolhas. Uma delas será tomada. Cabe a ti conhecer toda a tua história ou esperar que o futuro a conte. Qual será o final deste livro?"

Não acreditei no que ouvi. Talvez nunca digira completamente o belo discurso do pacífico homem. Mas a decisão deveria ser tomada. O senhor levantou-se, ajeitou o paletó e deixou um cartão sobre o meu colo. Enquanto dirigia-se para apertar o botão, solicitando a parada, li o papel que dizia: "Tu tens até o próximo ponto...". Ele observava-me como um pai orgulhoso acompanha os primeiros passos de um filho. Precisava de uma resposta. Sim ou não? A pílula azul ou a vermelha? 1 ou 0? Sempre quis saber até onde posso chegar, se tudo o que estou fazendo valerá a pena. Mas, e se não? E se meu futuro for como o de qualquer pessoa; minha jornada for semelhante a de milhões de outros brasileiros? E se não vier a mulher perfeita, a casa na praia, o emprego dos sonhos?

O próximo ponto chegou e o senhor lançou um último olhar sobre mim. Decidi não me mover e sinalizei isso para ele. Meu gesto foi imediatamente decodificado. O homem sorriu, aprovando. Percebi que, no fundo, ele não queria que me encontrasse com meu futuro. Os sonhos são o combustível da alma. Sem esperança, eles nada mais são do que fábulas projetadas na tela de nossa mente durante as madrugadas da vida. Ele desceu, acenando discretamente para mim. Tenho certeza de que nunca mais verei o homem. Não em vida, pelo menos. As portas fecharam e a viagem prosseguiu. Me senti tonto, como se tivesse acabado de acordar. Levantei de um sonho real. Voltara de uma realidade virtual. No entanto, não me arrependo da decisão tomada. Quero ouvir do futuro, dia-a-dia, o que eu tenho reservado para mim mesmo. E se o velho estivesse blefando? Não duvido nada se o livro nada mais fosse do que um maço de alvas folhas virgens, esperando que eu escrevesse o meu próprio destino...

domingo, 25 de março de 2007

Acho a maior graça

Tomate previne isso, cebola previne aquilo, chocolate faz bem, chocolate faz mal, um cálice diário de vinho não tem problema, qualquer gole de álcool é nocivo, tome água em abundância, mas não exagere...

Diante desta profusão de descobertas, acho mais seguro não mudar de hábitos.

Sei direitinho o que faz bem e o que faz mal pra minha saúde.

Prazer faz muito bem.


Dormir me deixa 0 km.


Ler um bom livro faz-me sentir novo em folha.


Viajar me deixa tenso antes de embarcar, mas depois rejuvenesço uns cinco anos.

Viagens aéreas não me incham as pernas; incham-me o cérebro, volto cheio de idéias.

Brigar me provoca arritmia cardíaca.


Ver pessoas tendo acessos de estupidez me embrulha o estômago.


Testemunhar gente jogando lata de cerveja pela janela do carro me faz perder toda a fé no ser humano.


E telejornais... os médicos deveriam proibir - como doem!


Caminhar faz bem, dançar faz bem, ficar em silêncio quando uma discussão está pegando fogo faz muito bem: você exercita o autocontrole e ainda acorda no outro dia sem se sentir arrependido de nada.


Acordar de manhã arrependido do que disse ou do que fez ontem à noite é prejudicial à saúde. E passar o resto do dia sem coragem para pedir desculpas, pior ainda.


Não pedir perdão pelas nossas mancadas dá câncer, não há tomate ou mussarela que previna...


Ir ao cinema, conseguir um lugar central nas fileiras do fundo, não ter ninguém atrapalhando sua visão, nenhum celular tocando e o filme ser espetacular, uau!
Cinema é melhor pra saúde do que pipoca.

Conversa é melhor do que piada.


Exercício é melhor do que cirurgia.


Humor é melhor do que rancor.


Amigos são melhores do que gente influente.


Economia é melhor do que dívida.


Pergunta é melhor do que dúvida.


Sonhar é melhor do que nada!

Luis Fernando Veríssimo

sábado, 24 de março de 2007

Piada Nacional

Possuindo um desastroso sistema penitenciário, São Paulo prende mais de mil e seiscentas pessoas em 11 horas.

Enquanto isso, os governadores de Minas Gerais, Rio de Janeiro e do Distrito Federal estão na Colômbia. Para quê? Para aprender técnicas a fim de reduzir os índices de criminalidade.

Lula diz que estará no pé dos novos ministros cobrando, a cada dia, para que façam mais e melhor do que os velhos.

Parece piada? Foi a edição de ontem do Jornal Nacional. No mínimo, hilário...

quinta-feira, 15 de março de 2007

Vagabundos!

Foi há pouco mais de um mês que o nada exemplar prefeito de São Paulo Gilberto Kassab expulsou aos gritos o micro-empresário Kaiser Paiva da inauguração de uma unidade de saúde, xingando-o de vagabundo na frente de todos - inclusive do próprio filho. Não foi apenas aquele homem que o prefeito jogou para fora do estabelecimento público. Junto com ele, eu, você e todos aqueles que moram neste tubo de ensaio chamado São Paulo fomos arrancados de locais que só existem graças à nossa suada contribuição involuntária e insultados de "vagabundos". Inúmeras críticas foram escritas, publicadas e veiculadas condenando a atitude do governante nos últimos dias. O próprio reconheceu que pisou na bola, e voltou atrás, pedindo desculpas ao trabalhador brasileiro. No entanto, não é que o prefeito tinha razão?

Não estou aqui para condenar o homem e valorizar o prefeito - longe de mim defender um político brasileiro. Concordo com as críticas feitas ao incompetente administrador da cidade e penso que ele (como grande parte das pseudo-autoridades do país) são incapazes de exercer cargos que sabe-se lá como chegaram em suas mãos. Entretanto, incluindo o próprio Kassab no seu xingamento (afinal, os insultado fomos nós, os paulistanos), ele não está errado. O povo é realmente muito vagabundo! Tem preguiça de trabalhar e faz o máximo para fazer o mínimo.

Ontem deixei a Cidade Universitária para iniciar um trabalho de fisioterapia. Se o trajeto fosse feito de carro, provavelmente demoraria pouco menos de 30 minutos. Como ainda não faço parte da elite do país, fui de ônibus ao meu destino. No dia anterior, havia feito o trajeto em 45 minutos. Pensando em eventuais congestionamentos, deixei a universidade 1 hora e 10 minutos antes do horário da seção. Pelos meus cálculos, ainda ficaria esperando por volta de 20 minutos antes de ser atendido. Contas erradas! O trânsito fez com que eu chegasse 15 minutos atrasado ao meu destino. Chegando à porta da clínica, fui obrigado a escutar uma fisioterapeuta preguiçosa dizendo que o meu atraso me impossibilitava de fazer a seção naquele dia. Ela ainda estava lá, a outra (que faria os exercícios) também, mas a comodidade falou mais alto e ela preferiu não me atender a ir embora 15 minutos mais tarde. Furioso, engoli seco a preguiça brasileira e me dirigi a uma casa lotérica para carregar meu bilhete único. Cheguei 15 minutos antes do final do expediente. Preciso explicitar se ela estava aberta? Claro que não!

Desencanei. O brasileiro é folgado mesmo! Não adiante reclamar que os políticos roubam, que o país não anda, que a economia não decola. O povo só quer bebemorar. Arregaçar as mangas pra quê? Elas vão acabar molhadas mesmo...

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Pra sempre?

Reservei os últimos cinco dias para arrumar os meus aposentos. Dizem que nosso quarto é o reflexo da nossa cabeça. Concordo plenamente!

Prometi à minha mãe que nas férias daria um jeito na bagunça. Era livro para todo lado, rascunhos pairando no ar, resumos dominando a paisagem, gavetas desordenadas... O cheiro do vestibular ainda impregnava o cômodo. Eu precisava gastar algum tempo organizando minhas coisas e decidi então fazer isso nas férias. Percebi que não me organizei apenas fisicamente, mas, também, mentalmente. Desfiz-me de coisas que me acompanhavam desde a primeira infância e resolvi jogar na garagem inúmeros objetos que tinham posição de destaque no meu quarto. Toneladas de papéis e livros do Ensino Médio agora dão lugar ao conhecimento que virá da faculdade. Gavetas ocupadas até a boca estão vazias, aguardando ansiosamente o que o novo mundo universitário vai mandar à elas. Entretanto, não foi isso o que mais chamou minha atenção nessa semana.

Encontrei diversas cartinhas soterradas que amigas me escreveram. Hoje, essas doces lembranças estão cada vez mais escassas, substituídas por impessoais "scraps" e, quando muito, por algum "testimonial" insípido e incolor. Cartas recentes e velhas, escritas por grandes amigas, que colocavam no papel algo em comum: o desejo que a amizade permanecesse. Algumas estavam partindo, outras, continuariam comigo. Havia aquelas ainda que apenas escreviam para registrar algum cumprimento. Em todas elas, expressões como "pra sempre", "nunca me esquecerei" e "jamais" eram freqüentes. Naquela época, acreditei. Hoje, leio com saudades...

A culpa não é delas. Também não é minha. O culpado é o tempo! Devemos pensar duas vezes antes de dizermos - e, principalmente, escrevermos - algo que envolva a eternidade. O calor de algumas emoções e momentos não raro nos constrangem a dizer frases que em breve tornar-se-ão mentiras. Períodos que fazem sentido em um contexto servem apenas para lembrar o quanto valeu a pena o passado no futuro. Vivi isso essa semana. As cores e os sons de um tempo remoto levantaram da cova e me visitaram. Sentir o cheiro de pessoas queridas que não vejo a tanto tempo. Tocar nas letras daquelas que ainda comigo convivem, mas já não tem o laço tão estreito. Ler uma frase e viver outra realidade. É muito saudoso! Só me faz acreditar cada vez menos nas pessoas...

Não sou pessimista. Acredito na verdadeira amizade. Sei que as cartas citadas foram escritas com muito amor, e as tenho guardadas até hoje com muito carinho - se resistiram ao lixo essa semana, é provável que nunca o conheçam. O que fica evidente é a real necessidade de se cultivar aquilo ou aqueles que queremos para sempre. Palavras jogadas em um pedaço de papel há seis anos queriam dizer muita coisa. Hoje, não passam de átomos de grafite descansando sobre um alvo leito. Nenhuma fogueira, por mais intensa que seja, permanece emanando calor se não for devidamente alimentada. Os relacionamentos, infelizmente, são muito mais complexos do que um simples fogareiro...

Terminei de ler as cartas e prossegui com a arrumação. Remanejei-as da gaveta para o fundo de uma caixa de difícil acesso, mas, que certamente as conservará por longas décadas. Elas não estão mais no meu quarto, mas ainda me pertencem e são guardadas com muito carinho e consideração. Não no lugar mais fácil de achá-las. Não na prateleira mais visível. Não na gaveta mais alta. No fundo de uma caixa, no fim da garagem. Não no lugar que merecem. Sim no lugar que chegaram. Dizem que nosso quarto é o reflexo da nossa cabeça. Concordo plenamente...

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

Recompensa



Foi divulgada há poucos minutos a última lista dos grandes vestibulares do 1º semestre de 2007. Graças a DEUS, depois de um longo e tenebroso ano, a coroação foi impecável: 100% de aproveitamento!

Tudo começou na chuvosa manhã do dia 6 de março de 2006. Mal sabia eu naquela ocasião o que teria de enfrentar nos próximos 318 dias até que as tão esperadas férias chegassem novamente, em 17 de janeiro de 2007. Foram mais de 1.680 horas de estudos, que dilaceraram 17 sábados e 10 domingos do meu nada saudoso 2006. Em ano de Copa do Mundo e Eleição, manter a concentração em tempo integral, não podendo escapar dos resumos e exercícios nem mesmo nas "férias" de julho foi uma tarefa particularmente difícil. Aulas de manhã e de tarde, análise das obras aos sábados, quintas e sextas, revisões, simulados objetivos, dissertativos, especiais, laboratórios de redação, aulas interdisciplinares... Tudo isso sem contar os intermináveis exercícios dos "intocáveis" (que foram bastante "tocáveis") e das apostilas de revisão (I, II, final, especial...) para que aprendêssemos aquilo que nos seria cobrado pelos diversos examinadores.

Não bastasse a estressante maratona de estudos sugar todas nossas energias, as quase 25 provas, distribuídas em 19 dias de exames, consumiram os últimos neurônios e devoraram as poucas energias restantes até então. Confesso que não foram poucas as vezes que pensei em jogar tudo para o alto. Mas, esse ano aprendi com o "mestre" Caeiro a desaprender. Desaprendi o significado da palavra "desistir". E aprendi que se queremos alguma coisa, devemos lutar por ela.
Do céu, só cai água, e mesmo assim, poluída... Se algo parece impossível, durma bem uma noite a fim de acordar disposto na manhã seguinte, tome um banho gelado e analise novamente a situação. Às vezes, calma, paciência, persistência e muita - MUITA - força de vontade podem ser a peça certa na ocasião perfeita para dar o xeque-mate no adversário.

Não acredito até agora no que consegui. Talvez nunca digira completamente essa idéia. Furto Fernando Pessoa para me expressar, com significativa modificação: "Nunca fui nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. Mas com DEUS, tenho em mim todos os sonhos do mundo..."



quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Vergonha

Acredito que não sou o único que tenho vergonha de ser brasileiro.

Há alguns dias tive a oportunidade de ir até o SUS para buscar duas caixas de remédios. Ainda era Janeiro, portanto, a cidade (bem como o posto) estava vazia. Após longos minutos gastos no trânsito até lá chegar, tivemos que retirar uma senha e aguardar mais de uma hora sentados até sermos atendidos. O leitor desinformado poderia me chamar de exigente. Já aquele que realmente se interessa pelo país e está ligado no mundo em que vive concordará que isso é uma vergonha.

O primeiro ponto que deve ficar bem explícito é que não há nenhuma generosidade, cordialidade ou benevolência por parte do governo em "doar" as caixinhas para cidadãos como eu. Tal atitude é dever do Estado, que rouba meus pais todos os meses prometendo saúde, educação, emprego e mais um mundo de maravilhas sem nada dar em troca. A segunda questão é a falta de mais estabelecimentos como esse pela cidade. Tais postos deveriam ser tão freqüentes quanto as farmácias, encontradas a cada duas ou três esquinas. Vi naquele lugar brasileiros que penaram para chegar até ali, com um exausto sorriso nos lábios porque alguém estava "dando" a eles o que precisavam. Mal sabem eles que, se não houvesse a pesada carga tributária, teriam condições de comprar as medicações com seus próprios salários. Não seriam obrigados a atravessar a cidade e nem a perder horas de trabalho (uma vez que o posto funciona apenas em horário comercial) a fim de conseguirem aquilo que só está ali graças às contribuições deles.

É difícil apontar um responsável. Em um país onde ninguém tem peito de assumir uma decisão, mas, todos se escondem atrás de uma enorme burocracia, jogando sempre a palavra final para o próximo, os culpados são muitos. Quem diz isso não sou eu: é a mídia. Por aqui, um em cada sete deputados é processado ou investigado por crime. Fraudes em vestibulares estão sendo investigadas, visto que foi descoberto que um deputado, visando beneficiar sua filha, pagou um professor para elaborar a prova e entregar as respostas a ela. Outro afirmou: "A imagem da gente fica suja, mas eu tenho um histórico limpo. Não tenho o nome envolvido em sanguessugas e em casos de mensaleiros. Quem tem vergonha fica com vergonha. Eu fico com vergonha.". Frases patéticas como essa são proferidas por aqueles que hoje, dia 1º/02, tomam posse e hão de governar nossa nação. Dos 513 deputados eleitos, 74 respondem a processo na Justiça Federal, mas, mesmo assim, estão assumindo seus cargos.

Estou enganado. Não tenho motivos para ter vergonha de ser brasileiro. O que me envergonha é ser governado por pessoas como essas, que enganam o povo com pomposos discursos e enquanto isso divertem-se às custas dos enganados. E fica a pergunta: é melhor saber que estou sendo feito de idiota sem nada poder fazer para mudar a situação ou cegamente acreditar que alguém está com dó de nós e por isso colocou um único posto de saúde para atender a cidade de São Paulo inteira que, com alguns banquinhos estofados, acaricia os cegos olhos da população brasileira?

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Férias!

Juliana Doretto/UOLLembrei-me hoje do 19/12/2006, quando, esgotado, recebi a notícia de que passara para a segunda fase da UNICAMP e que, portanto, só estaria de férias a partir do dia 17/01/2007. Eu estava acabado, morto, com finais de semana mutilados desde o início do ano e pouquíssimos feriados que, quando sem aula, eram dedicados aos estudos. Não era a faculdade que eu sonhara, muito menos o curso. Aquela data parecia inalcançável, tão longe quanto a duração da eternidade. Mas, bola pra frente! Afinal, nada adianta atravessar um enorme oceano e morrer dormindo na praia.

A prova de hoje foi um marco, não um exame. Um teste difícil sim, complexo (o de Matemática), mas também tranqüilo e "light" (o de Inglês). Sem dúvidas o dia mais gostoso de se fazer dos últimos quatro. Lembro-me de que cada vez que olhava no relógio, enxergava o tempo que me separava das férias, e não o tanto que ainda tinha de permanência na sala. Um momento que certamente ficará eternizado em minha mente: 18h04, quando a fiscal finalmente balançou a bandeira e disse: "Tempo encerrado! Por favor, fechem os cadernos". Só quem fez 19 provas nos últimos meses sabe o quanto essa utópica frase foi aguardada. A vontade era de chorar, gritar, jogar tudo pra cima! Não só a minha, mas a de todos os que prestaram nestes últimos dias. A temporada de caça está encerrada! Quem passou, passou. Quem não passou... Bem, deixemos essa parte de lado!

Os próximos dias serão dedicados ao ócio mental (o físico ficará para depois). Uma semana de viagens para mudar os ares e literalmente arejar as idéias. Quando possível, voltarei aqui para retomarmos a idéia inicial do Blog. Mas, enquanto não retorno, deixo registrado o meu muito obrigado a todos que apoiaram, oraram, torceram, mandaram mensagens, e-mails, telefonaram, scraps, MSN, sinais de fogo e todas as formas possíveis de comunicação. Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

Um pequeno alívio

Finalmente uma prova gostosa de se fazer!

O exame de Física foi bem tranqüilo! Até que enfim a UNICAMP mandou uma prova mais fácil do que a FUVEST. O mesmo não pode ser dito da prova de Geografia. Todos os exatóides acharam o exame de Física fácil e o de Geografia complicado. Para os humanóides, o contrário. Graças a Deus existem as diferenças! Afinal, o que seria do verde se não existisse o amarelo?

Amanhã talvez eu volte! Em menos de 20 horas estarei de férias. Em menos de 4 horas estarei de férias. Em menos de três anos eu estarei de férias! Pra quem entende...

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

Apenas oito horas

O dia foi, mais uma vez, dedicado às provas da UNICAMP, sendo elas de Química e História.

Hoje descobri o motivo de tanta conversa ontem. Na UNICAMP, os candidatos são alocados de acordo com sua carreira. Na minha sala, além dos futuros engenheiros da computação, havia também vários candidatos ao curso de filosofia. Daí, logo lembrei-me da famosa sociabilidade dos humanóides. Quando fui identificar os exatóides, não tive dificuldade: 10 caras, nenhuma menina, todos feios, sem falar um com os outros, a maioria orientais, concentrados no nada.

A prova começou mal. A lousa indicava duas erratas na prova de Química. Cheguei a conclusão que o problema da UNICAMP não é a dificuldade do exame, mas, sim, a duração dele. As 12 questões de cada matéria são muito complexas, uma vez que devem abordar todo o conteúdo do Ensino Médio. Sendo assim, não poderiam ser superficiais. Para complicar, a instituição quer "inovar", inventando novas abordagens e incluir a maldita interdisciplinaridade no meio. A prova de Química, por exemplo, pedia em um item a equação da reta de um gráfico (se não me engano, estudei isso em Matemática) e, em outra questão, pedia o julgamento de uma frase que só poderia ser feito se soubéssemos qual espécie de bicho causa malária (isso não era Biologia?). Além do mais, repetiu-se a dose da primeira fase e fez-se uma prova temática, visando discutir os problemas da alimentação mundial. O exame deste ano não foi no laboratório, foi na cozinha! Uma situação nova, completamente diferente das enfrentadas ao longo do ano em sala de aula. Interessante? Até seria se tivéssemos tempo para digerir o prato que nos foi servido. O escasso tempo só permitiu que engolíssemos a prova e vomitássemos aquilo que comemos durante o ano. Não foi possível metabolizar todas as informações, como a faculdade provavelmente queria, e construir respostas plausíveis à altura da prova. Ao contrário: foi uma corrida contra o tempo, onde venceu não o mais preparado, mas, aquele que decorou mais coisas ao longo do ano e conseguiu jogar no papel o máximo possível de informações. Exatamente o oposto do perfil buscado pela instituição...

Nada escapa da UNICAMP. Tudo aquilo que demos graças a Deus por não aparecer em outras provas essa faculdade faz questão de lembrar. As 12 questões desdobram-se em sub-itens, indo às vezes até a letra c. O exame é realmente enorme e, com pouquíssimo tempo para ser resolvido em uma sala quentíssima e com carteiras extremamente desconfortáveis, submete os pobres vestibulandos a terríveis torturas físicas e psicológicas. Meus sonhos de uma noite de verão não eram assim! Começo a entender melhor a expressão "do inferno ao céu em apenas 8 horas"...

domingo, 14 de janeiro de 2007

Começo do fim ou fim do começo?

Após dois dias de "descanso", voltamos hoje à maratona de provas. Desta vez, o adversário é a UNICAMP!

O horário da UNICAMP não é o mesmo da FUVEST. Esses horários sempre nos confundem, mas vamos lá! Os portões se fecham às 13h45. Horário de chegada? 13h00! Com medo do trânsito, graças ao acidente do metrô, saí de casa bem cedo, chegando ao local de prova com uma hora e meia de antecedência. Tempo suficiente para ficar no carro fazendo hora, ficar de pé esticando as costas, entrar várias vezes na fila do chiclete e ainda bater papo com os amigos que - firme e forte - fazem a maratona de provas até o fim. Descobri que não sou o único que estou exausto, de saco cheio, com vontade de sumir e não estudar mais nada! Isso é bom - dá uma forcinha a mais!

Faltando pouco menos de meia hora para o início do exame, entrei na minha sala. Os minutos antes do começo foram os mais bizarros que já vivenciei em toda minha experiência vestibulínica. A sala de aula estava uma zona! A conversa era mais alta do que as do tempo de colégio. Metade da sala se conhecia, o que gerou um animado e barulhento bate-papo incompatível com a tensão pré-vestibular. Junto com todo esse auê, o candidato ao meu lado relutava em guardar seu material, portando seus resumos até o último segundo, esperando aprender alguma coisa que não conseguiu em 12 meses. Mal sabia eu que ainda teria que aguardar 45 minutos nessa baderna. O processo de identificação da UNICAMP é bastante peculiar. Apenas um fiscal na sala verifica o nome de todos os 45 candidatos, bem como recolhe as digitais de cada um. Feito isso, a prova chega lacrada em um saco preto, devendo ser aberta e "montada" pelo responsável. Sim! Diferentemente da FUVEST, que envia as provas nomeadas e prontas, a UNICAMP manda um bloco enorme de papéis, sem ao menos cortar as páginas, cabendo ao fiscal, na hora, separar duas "folhonas" para cada um e aos candidatos o trabalho de cortar a prova e montá-la.

Feito tudo isso, às 14h16 iniciamos a prova. Foi a pior prova que fiz nos últimos meses! O grande Bellinello definiu a prova como "massacrante", afirmando sem titubear que o exame foi "muito mais difícil do que a FUVEST". Já o mestre Fernando Teixeira afirmou que a prova foi "muito mais desafiadora e complexa", reconhecendo que não houve tempo para responder todas as questões. Uma prova enorme, cobrando muitas peculiaridades, extremamente chata e cansativa, aplicada em um escasso intervalo de tempo. É questionável um candidato à engenharia ter que saber detalhes de Biologia, como, por exemplo, a diferença morfológica em um fruto que faz com que ele seja classificado como baga ou drupa (detalhe: era a primeira questão de biologia, portanto, a mais fácil do exame - na UNICAMP, elas estão ordenadas em grau de dificuldade crescente). A proposta
de buscar um aluno competente em todas as disciplinas é extremamente válida. Todavia, ninguém é capaz de guardar picuinhas de cada disciplina - especialmente quando não é sua área de interesse. Que seja. O exame já foi e as eternas quatro horas dentro da sauna de aula que achei que não passariam, terminaram. Quase dois litros de água, 6 chicletes e pouco mais de uma dezena de bombons depois, a prova finalmente acabou.

Amanhã enfrento Química e História. Estou preparado para outro exame massacrante como o de hoje. As matérias de Exatas eu me garanto! Quanto às Humanas, refugio-me na declaração do professor Armênio Uzunian: "um bom conjunto deveria levar em conta o fator tempo. Acho que a UNICAMP errou a mão..."

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

Enfim, o primeiro fim!

Quem disse que no fim tudo dá certo estava correto! A primeira maratona de provas não podia ter acabado melhor...

Acordei no mesmo horário de sempre, li novamente alguns resumos de Matemática e completei o enxuto formulário. Feito isso, um bom banho e um delicioso almoço me enviaram para o último dia de provas. É incrível como a tranqüilidade é maior hoje do que no Domingo. Não sei se por ter feito todas as provas ou por já conhecer o monstro que se levantou, a ansiedade, o nervosismo e a tensão são bem menores dos que aqueles de quatro dias atrás.

Chegando ao local de exame, verifiquei a lista (que estava menor ainda do que ontem) e conferi minha sala. Bati um papo com um amigo e, cinco minutos antes de entrar, li pela última vez a relação de fórmulas que preparara. Leitura essa extremamente útil: pelo menos três expressões que não tinha muita segurança marcaram presença na prova que se iniciaria em instantes!

O ritual de início não foi diferente. Mecanicamente, os fiscais lêem as instruções que a invisível FUVEST manda, reforçando os mesmos avisos de sempre: não é permitido usar material estranho à prova (o que é mais estranho do que aquelas questões?), ninguém pode se ausentar antes de 15h00 (haja resistência!) e celulares e pagers devem permanecer desligados (alguém aí está com pager?). Como sempre, a prova chega com o famoso "atraso elegante", esnobando seus admiradores que ansiosamente aguardam-na sentados.

Às 13h11, a frase mágica é proferida pela última vez. Li a primeira questão e matei-a imediatamente. A segunda, idem. A terceira, também. Me senti fazendo uma prova do Claudião, no bom e velho Batista. Não fosse a falta de tempo, provavelmente teria gabaritado o exame. É claro que não foram fáceis. Mas Matemática é o meu xodó! O tempo voou e quando ouvi já eram 16h11. O relógio do fiscal apitou, quando ele imediatamente ordenou que fechássemos o caderno. Estava empolgado no meio de uma questão, mas não importa: o tempo de prova é de quatro horas! Nem um minuto a mais...

Saindo do prédio, me senti praticamente de férias. Semana que vem ainda tenho que encarar oito provas da UNICAMP, mas não importa. A USP já passou! À noite, quando cheguei em casa, conferi rapidamente as provas anteriores e tive a grata surpresa de descobrir que não fui tão mal em Física como imaginara. E, melhor, li diversas opiniões de concorrentes, que consideraram a prova de Matemática difícil. Que beleza!

Já disse o sábio: "Tudo passa". O monstro FUVEST, que nos últimos cinco dias desafiou quase quarenta mil estudantes, finalmente se calou. Sua hibernação será até o final de novembro, quando mais uma vez levantar-se-á do seu sono profundo e aniquilará mais alguns milhares de candidatos. Deus queira que eu esteja novamente presente nesta ocasião. Mas desta vez, como aluno da USP, trabalhando de fiscal. Agora, só quero descansar, esfriar a cabeça e fazer o meu melhor na UNICAMP para sair de férias com a consciência extremamente tranqüila de que fiz o possível e o impossível para conquistar minhas vagas. Cada vez mais o cheiro das férias se torna mais forte...

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Vontade de chorar

O dia da Física finalmente chegou! Tudo aquilo que estudei nos últimos 4 anos sobre essa disciplina me foi cobrado em 10 questões! Dez questões do mal, que pareciam ser duzentas. Tão longas e complexas que seriam necessárias pilhas de livros para ensinar a um leigo tudo que elas cobravam...

Após o ritual vestibulínico, saí de casa pela penúltima vez rumo à faculdade. Chegando lá, não encontrei ninguém (apenas os exatóides e os candidatos à medicina são obrigados a degustar essa prova) e fui direto localizar minha sala (que não era a mesma dos dias anteriores). Feito isso, fui ao pátio ler pela última vez um completo formulário que preparei contendo algumas informações bastante relevantes (pelo menos eu achei que seriam) para a resolução do exame. Estava bastante empolgado, pois, depois de Matemática, é a matéria que mais dominava e me sentia preparado. Todavia, em apenas algumas horas descobri que a coisa não era bem assim! As primeiras questões, apesar de fáceis, eram bastante trabalhosas! Deixaram, portanto, de ser fáceis. As últimas então dispensam comentários! Uma prova, enfim, muito difícil, muito trabalhosa, com pouco tempo e que pode ser resumida em uma frase: "Só sei que nada sei".

Contudo, não adianta chorar sobre o leite derramado. Nas próximas horas, vou me dedicar à uma rápida revisão do conteúdo de Matemática para ver se encerro esse vestibular com chave de ouro. Posso ter "perdido" uma batalha, mas a guerra ainda está acontecendo e só será decidida no último instante! Amanhã eu volto para contar como foi o último dia deste novo ano em que a FUVEST expele para o mundo suas questões dissertativas. Como disse alguém: "O ano é novo, mas os problemas são bastante antigos..."

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

Um dia para relaxar a mente

O dia de descanso começou cedo. E, antecipo-me: foi bem pior do que previa. Descobri que estou mais cansado do que imaginava...

A matrícula no Mackenzie não pôde ser feita. É preciso voltar lá em outra ocasião com algumas toneladas de papéis para provar o que sou e quanto sou. A burocracia é algo que realmente me tira do sério. Ainda mais quando é feita por pessoas desmotivadas, como um desinformado funcionário daquela instituição que afirmava termos perdido o prazo da matrícula. Mal sabia ele que a data limite é 2 de fevereiro. Enfim, no final das contas, fomos atendidos e obrigados a retornar em outra oportunidade, com um formulário preenchido, com cópias e mais cópias de documentos (alguns dos quais eu nem sabia que existia) e uma boa dose de paciência e bom humor! É, realmente, dinheiro é o nome do jogo! Com um cheque assinado, tudo seria mais fácil. E daí? Se fosse fácil, não seria gostoso! E se não for gostoso, não vale a pena! Tenho direito a estudar de graça; ninguém está fazendo nenhum favor ou obra de caridade para mim. O governo rouba meus pais todos os meses, prometendo saúde, educação, emprego e mais um monte de ladainhas. Além de não cumprir, ainda quer se fazer de santo por me "dar" uma vaga em uma escola particular? Não pra cima de mim! Ele não está fazendo mais nada do que sua obrigação . Pelo contrário: esse dinheiro foi, antes de ser dele, da minha família! Mas tudo bem: não vou desanimar por causa de funcionários adestrados para tirar a minha paciência...

O resto do dia foi razoável. Dediquei-me a rever a matéria de Física que constará no exame de amanhã, analisando a prova do ano passado e relendo as fichas-resumo do Objetivo. Amanhã, voltamos para contar como foi a tão esperada prova.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

Perdendo o medo

Passado o trauma da primeira prova discursiva, aos poucos o medo vai diminuindo - e a dificuldade aumentando!

Neste segundo dia de exames, a rotina foi a mesma, mas sem aquela tensão que assombrou-me no domingo. Chegando na faculdade pouco depois do meio-dia, encontrei os mesmos amigos, fizemos alguns comentários acerca do exame de português e lá fomos nós novamente encarar a FUVEST. Os 20 minutos que antecederam a prova não foram tão longos quanto os de ontem. Todavia, o silêncio sepulcral e o vai-e-vem dos vermelhinhos sussurrando alto para os fiscais o que devem fazer deixam qualquer um apreensivo e tenso! Novamente, por volta das 13h10, ela entra na sala, desfilando e exalando toda sua maldade. Rapidamente, uma cópia do exame de Química deitou na minha frente, encarando-me com o mesmo olhar de ressaca do ano passado. Dado o aviso de que podíamos saborear a prova, abri-a com cuidado, lendo cada questão como se fosse única. Houve alguma dificuldade em 2 questões, que mereceram ser deixadas de lado até por volta das 15h30. Uma prova complicada, embaraçada, mas, não impossível! Difícil sim, trabalhosa, mas, possível!

Às 16h15 deixei o campus com destino à minha casa. O dia de amanhã será bastante agradável. Por não fazer o exame de Biologia nem o de Geografia, estou de férias por 24 horas! Tempo suficiente para tocar, me matricular no Mackenzie e resolver algumas burocráticas questões que estão pendentes há algum tempo! Se sobrar algum tempo, volto aqui para contar como foram minhas férias de um dia.

domingo, 7 de janeiro de 2007

O primeiro contato

É, realmente o conselho dos veteranos é muito importante: o que vai ganhar o jogo agora é o descanso e a tranqüilidade emocional.

Após uma longa noite bem dormida, às 11h45 saí de casa para me encontrar com a temida FUVEST. Creio que essas horas que antecedem a prova são as piores: os momentos aguardando a faculdade abrir os portões, o encontro com os amigos e a nervosa conversa sobre assuntos que, de um jeito ou de outro, culminariam na prova. É curioso observar como cada um enxerga seu desafio: o futuro advogado, experiente, com 2 anos de cursinho, não cria falsas expectativas. Outros dois concorrentes a engenharia vão para a prova como se estivessem indo para a lanchonete: despreocupados, no famoso refrão brasileiro "deixa a vida me levar". O candidato à FEA (Faculdade de Economia e Administração) também estava tranqüilo, com vaga garantida em outra instituição. Muita gente conhecida. Muita gente nova. Todos nervosos, todos sossegados. Todos, enfim, aguardando a hora de se encontrar com a primeira prova discursiva da FUVEST 2007.

Após alguns minutos de bate-papo e de portões abertos, despedi-me dos conhecidos para ir à sala. É impressionante a organização do vestibular da USP. A pontualidade, entretanto, não é muito respeitada: os portões abrem-se 10, 15 minutos antes do previsto; a prova chega atrasada (13h15). Contudo, nunca ouse não ser pontual: você não será perdoado por isso!

Ao entrar na sala, aí sim os nervos vão à flor da pele. Nos 20 minutos que separam sua "vida" pré-FUVEST 2007 da pós, tudo passa na cabeça: velhos amigos, novos conhecidos, situações inusitadas, o sentimento de vitória, o amargo sabor da derrota, tudo mesmo! Parece que o tempo perde o referencial nestes instantes. O devaneio é interrompido pelo intenso movimento dos "vermelhinhos" (os fiscais e auxiliares), incumbidos de levar ao destino os exames que consumiram vidas inteiras durante o ano. Essa hora é bastante emocionante: observar o documento que há um ano me venceu penetrando sala a dentro com sua arrogância ímpar, protegido por uma burocrática e necessária intocabilidade. Ao ser colocado sobre a carteira, encarei-o, conferindo meus dados e meu nome. Todos a postos, avisos dados, a frase foi proferida: "boa prova!".

As rápidas quatro horas que se seguiram passaram tão lentamente quanto os últimos vinte minutos. É curioso observar que, ao mesmo tempo que o tempo não passa, ele voa! Lembranças de aulas do início do ano ou da revisão de véspera vem à tona, compondo uma grande ópera de informações dentro da nossa cabeça. Selecioná-las, organizá-las e registrá-las é agora o grande desafio. A redação, temida por muitos, uma vez que vale nada menos que 6,25% da nota final, não estava tão assustadora quanto pensávamos. O mastigado tema (amizade) obrigou-nos a discutir o assunto valendo-se de nossas próprias experiências, mas sem antes responder algumas questões que deveriam constar no texto (se a coletânea fornecida era atual, se a amizade ainda tem aquele valor que tivera antigamente, dentre outras). Uma prova, enfim, razoável, mas digna de receber o logo da FUVEST.

A hora finalmente chegou. 17h13 e os fiscais ordenam o fechamento dos cadernos. O meu, que já havia sido entregue minutos antes, não sofreu a a ameaça de "atitudes deselegantes" por parte dos vermelhinhos. Coloquei meu tênis, guardei meus doces (o que sobrou deles) e saí do prédio. O resto do dia foi bastante bom também, mas não cabe aqui comentá-lo.

Amanhã estamos de volta, comentando como foram os minutos pré, durante e pós prova de Química. Graças a Deus, estou livre de História. Entretanto, minha prova promete: a meu ver, foi a disciplina mais difícil do ano passado! Será que ela ganhará o pódio este ano?...

sábado, 6 de janeiro de 2007

Apenas algumas horas...

A maratona está apenas começando! E, junto com ela, a série "Provas da minha vida".

Até o próximo dia 17, os vestibulandos que disputam vagas na USP e na UNICAMP seremos submetidos a eternas 25 horas de tensão, distribuídas em doze provas diferentes, ao longo de oito dias. Propus a mim mesmo fazer um pequeno resumo de cada um desses últimos doze dias antes do meu retorno à vida, a fim de me divertir um pouco quando estiver de férias, e encorajar (ou não!) futuros candidatos a uma dessas duas instituições.

O dia de hoje começou cedo: às 07h30 da manhã. O cursinho Objetivo ofereceu à seus alunos uma revisão da revisão da revisão (...) final sobre as nove obras que compõem a lista de leitura obrigatória. A aula, com início previsto para às 09h00 e duração infinita (pelo menos próxima disso), teria duas partes: a primeira, indo até às 13h00, e a segunda, começando às 14h00 com o mestre Fernando Teixeira, iria até sabe lá Deus que horas! O primeiro tempo eu assisti: as quatro obras ("Auto da Barca do Inferno", de Gil Vicente; "Iracema", de José de Alencar; "Memórias de um Sargento de Milícias", de Manuel Antônio de Almeida e "Dom Casmurro", de Machado de Assis) foram analisadas de forma rápida e eficaz pela professora Lu. Como se não bastasse a aula, houve "sorteio" de camisetas para os melhores cabeças e também a "confecção" de uma reportagem sobre o assunto para o SPTV. Para ver a matéria, escolha uma das opções abaixo:

Assistir vídeo
- Ler matéria

Foi engraçado a hora em que o repórter, sem combinar nada, perguntou para a galera:
- Amanhã vocês vão enfrentar um monstro que tem 7 letras e se chama...
A resposta foi unânime: "FUVEST"! Mal sabíamos que a resposta desejada (portanto, a que deveria ser dada por ser o tema da reportagem) era REDAÇÃO (desde quando FUVEST tem 7 letras?...)

Às 13h00, retornei ao lar, onde fiz um humilde lanche e tirei a tarde para descansar. Saí para andar um pouco com a família e mudar os ares. Mais à noite, na segunda edição do SPTV, outra reportagem sobre o assunto. Desta vez, com direito a entrevista:

Assistir vídeo - Ler matéria

Agora, faltando poucas horas para o início da primeira prova, pontuo o que de principal aconteceu nesta véspera de FUVEST e recolho-me para atividades um tanto quanto "agitadas": banho, pizza, filme e coisas do tipo.

Amanhã estou de volta, contando como foi o temido primeiro dia de provas! FUVEST? Que venha...